Tudo o que tinha na caixa eram os bons restos. Decidiu então que de nada adiantaria se encaixado sem embrulho. Pegou três pedaços de papel.
Indecidiu.
Foi aí que resolveu sortear. Assim, num fechar de olhos tão apertado que doía. Sabe aquelas vezes que você quer apertar assim, tão forte a pálpebra que quando abre o mundo tá preto e/ou vermelho? Então.
Caiu na cama.
Uma dor de cabeça sem fim. Uma vontade de falar sem parar. E veio o vômito.
Regurgitou.
terça-feira, 28 de julho de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
Fragmentos dos 14, 15, 16 (anos) e 20
É que tudo aquilo que adoro questionar (sim, às vezes - um aquase sempre - acontecem discussões intracerebrais) me caiu hoje como um balde de água fria. Assim, como a vergonha dos clichês e ditos populares. Assim como a repetição de palavras. Assim como o tentar ser poético em curtas frases. Assim como a tentativa rebuscamento sem propósito. Assim como a tentativa de blasé terminada em insucesso. Assim como a falta de vitórias. Assim como o não reconhecimento da perda. Assim como o excesso de tudo. Assim como a vontade de verborragia. Assim como a confusão de tudo.
Assim como todos.
As tatuagens de hoje criam imagens de virtuosidade. Os tatuados de hoje querem, em seu mundo passado e presente incompreendido, mostrar que não são os de ontem. O tatuar é ser certo num mundo de errados. Aí vem: quero ser assim, rebelde de desenho, inovador na roupa cara, inspirador nos acessórios, irrepreensível nas atitudes, político nas ideologias.
Assim como a vergonha que ando sentindo. Não sei se de mim ou daqueles que não gosto. Não sei de daquilo que não gosto naqueles que desgosto. Ou mesmo de mim.
Pronto, falei.
O samba já tá saindo de moda. Em alta agora tá o novo pseudo-rock. Vários shows. Divirtam-se.
Assim como todos.
As tatuagens de hoje criam imagens de virtuosidade. Os tatuados de hoje querem, em seu mundo passado e presente incompreendido, mostrar que não são os de ontem. O tatuar é ser certo num mundo de errados. Aí vem: quero ser assim, rebelde de desenho, inovador na roupa cara, inspirador nos acessórios, irrepreensível nas atitudes, político nas ideologias.
Assim como a vergonha que ando sentindo. Não sei se de mim ou daqueles que não gosto. Não sei de daquilo que não gosto naqueles que desgosto. Ou mesmo de mim.
Pronto, falei.
O samba já tá saindo de moda. Em alta agora tá o novo pseudo-rock. Vários shows. Divirtam-se.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Quem foi mesmo que disse ser o futuro coisa a não se pensar?
Mesmo fazendo todo o esforço, parece que todos os pensamentos e repensamentos foram jogados fora. Não por causa de surtos temperamentais que, com o perdão da palavra, causam esporros internos, mas sim porque esquecer o que passa parece ser abertura do entender o que vem.
Não que fosse pra ser assim. De modo algum. Até porque, há certos dias em que o acordar é quase um baú de tralhas que traz à tona toda aquela parafernalha escondida por debaixo da epiderme empoeirada. E aí, pensar em outros tempos que não o pretérito nem é coisa que se passa pela cabeça.
Pois bem, vinte anos pesam.
Nem parece que é muito. E, na verdade, não é mesmo. Poderia ser mais, mas o medo e as falsas expectativas de amadurecimento precoce estorvaram a naturalidade do que é crescer. E, assim, me fizeram acreditar na não importância do futuro: ora, o futuro era eu! Assim precoce, aparentemente desafiadora e sem medos.
Pois bem, o passado era coisa bonita, o presente um futuro e o futuro desimportante.
E agora vem por aqui aquela inquietude que, se há um tempo, seria só tristeza passageira. Mas hoje, sei que é a desilusão do tempo.
Só por hoje...
Mesmo fazendo todo o esforço, parece que todos os pensamentos e repensamentos foram jogados fora. Não por causa de surtos temperamentais que, com o perdão da palavra, causam esporros internos, mas sim porque esquecer o que passa parece ser abertura do entender o que vem.
Não que fosse pra ser assim. De modo algum. Até porque, há certos dias em que o acordar é quase um baú de tralhas que traz à tona toda aquela parafernalha escondida por debaixo da epiderme empoeirada. E aí, pensar em outros tempos que não o pretérito nem é coisa que se passa pela cabeça.
Pois bem, vinte anos pesam.
Nem parece que é muito. E, na verdade, não é mesmo. Poderia ser mais, mas o medo e as falsas expectativas de amadurecimento precoce estorvaram a naturalidade do que é crescer. E, assim, me fizeram acreditar na não importância do futuro: ora, o futuro era eu! Assim precoce, aparentemente desafiadora e sem medos.
Pois bem, o passado era coisa bonita, o presente um futuro e o futuro desimportante.
E agora vem por aqui aquela inquietude que, se há um tempo, seria só tristeza passageira. Mas hoje, sei que é a desilusão do tempo.
Só por hoje...
sábado, 29 de novembro de 2008
Acordei ontem à noite num susto. Não daqueles pequeninos que te fazem respirar fundo, sorrir e voltar pro sono. Mas também não era do tipo pesadelo, dos que acabam com a noite.
Não.
Acordei ontem à noite num susto. Não daqueles que te fazem levantar, acordar os pais e dormir junto deles. Mas também não era do tipo isso passa, dos que retomam a noite.
Não.
Acordei ontem à noite num susto. Não daqueles que te fazem lembrar do dever, suar frio e começar o trabalho. Mas também não era do tipo mudança, das que pedem o andar pra frente.
Sim.
Acordei ontem à noite num susto. E até agora não sei o porquê.
Não.
Acordei ontem à noite num susto. Não daqueles que te fazem levantar, acordar os pais e dormir junto deles. Mas também não era do tipo isso passa, dos que retomam a noite.
Não.
Acordei ontem à noite num susto. Não daqueles que te fazem lembrar do dever, suar frio e começar o trabalho. Mas também não era do tipo mudança, das que pedem o andar pra frente.
Sim.
Acordei ontem à noite num susto. E até agora não sei o porquê.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
A um Amigo.
Porque já pensei demais antes de fazer. E foi assim um pensar de medo do conhecido - É, porque desagradar o conhecido é muito mais fácil do que perceber o desgosto mascarado pela boa educação do desconhecido.
Mas, liberta.
Já se foram quase três tempos.
Tudo bem que, do lado de cá, parece eterno. Engraçado que esse tempo, se contado em distância pouca, era quase nada.
Não que não valesse a pena a presença - que, por sinal, grande presença - mas é que a gente nunca sabe que falta a distância pode fazer sentir.
Não que seja só a distância - porque, desse modo, seria fácil o subterfúgio da amizade.
Não, não é. E a dificuldade de expressar é representante disso: do não saber explicar de onde isso tudo vem.
Vi suas fotos hoje. Tinha um olhar distante, mas feliz. De corpo, parecia bem. Uma beleza que, se vista há uns tempos, seria desapercebida.
De verdade me fez bem.
Lembrei dos tempos em que sonhávamos em cada pedaço de imagem - daquelas de vinte e quatro quadros por segundo mesmo - e queríamos que tudo aquilo ali pudesse ser realidade. Mas depois, num súbito de consciência, entendíamos que tudo parecia mesmo fantasia.
E gostávamos. E gostamos.
Não sei o que espero daquilo que vem, mas sei que é ainda mais vida do que foi. E olha que realmente foi.
E que saiba que me inspirou assim. Desde o início.
Mas, liberta.
Já se foram quase três tempos.
Tudo bem que, do lado de cá, parece eterno. Engraçado que esse tempo, se contado em distância pouca, era quase nada.
Não que não valesse a pena a presença - que, por sinal, grande presença - mas é que a gente nunca sabe que falta a distância pode fazer sentir.
Não que seja só a distância - porque, desse modo, seria fácil o subterfúgio da amizade.
Não, não é. E a dificuldade de expressar é representante disso: do não saber explicar de onde isso tudo vem.
Vi suas fotos hoje. Tinha um olhar distante, mas feliz. De corpo, parecia bem. Uma beleza que, se vista há uns tempos, seria desapercebida.
De verdade me fez bem.
Lembrei dos tempos em que sonhávamos em cada pedaço de imagem - daquelas de vinte e quatro quadros por segundo mesmo - e queríamos que tudo aquilo ali pudesse ser realidade. Mas depois, num súbito de consciência, entendíamos que tudo parecia mesmo fantasia.
E gostávamos. E gostamos.
Não sei o que espero daquilo que vem, mas sei que é ainda mais vida do que foi. E olha que realmente foi.
E que saiba que me inspirou assim. Desde o início.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Como se fosse a última
Tudo aqui parece assim tão pouco, tão baixo, tão cheio de nãos.
Tudo aqui parece assim tão cheio, tão fora, tão cheio de vás.
Tudo aqui parece de um jeito que não deveria ser.
Tudo aqui parece de um jeito que eu não queria ter.
Mas como?
É meio assim sem querer. Uma falta de poesia, falta de sentido, falta de idéias.
É do tipo sem querer. Mesmo.
Parece tipo assim fora, sentido, ser.
E então as voltas não parecem entendidas.
E eu penso: eram pra ser?
E eu penso: por que eu?
E eu penso: por quê?
E eu penso: sei lá.
E então me vem você e me diz que não era pra ser assim, tão primeira pessoa.
E, quer saber?
Não te respondo mais.
Tudo aqui parece assim tão cheio, tão fora, tão cheio de vás.
Tudo aqui parece de um jeito que não deveria ser.
Tudo aqui parece de um jeito que eu não queria ter.
Mas como?
É meio assim sem querer. Uma falta de poesia, falta de sentido, falta de idéias.
É do tipo sem querer. Mesmo.
Parece tipo assim fora, sentido, ser.
E então as voltas não parecem entendidas.
E eu penso: eram pra ser?
E eu penso: por que eu?
E eu penso: por quê?
E eu penso: sei lá.
E então me vem você e me diz que não era pra ser assim, tão primeira pessoa.
E, quer saber?
Não te respondo mais.
sábado, 16 de agosto de 2008
Pensamento do Dia
Até que, pensando bem agora, não foram assim tão desesperadoras as horas. Tentaram porque tentaram fugir por entre meus dedos trêmulos, mas acho que não conseguiram. Que bom. Acho que por isso, pela luta contra e pelo fim a mim enfim vitorioso, fico assim aliviada.
Depois, o que houve foram os pensamentos. É que todo dia (ou uma simplificação disso) posso passar pela rua que há tempos atrás tentei fazer com que se chamasse “Do Pensamento”. Vã tentativa. Isso porque percebi que nem sempre ela disso poderia ser, uma vez que assim só seria caso não houvesse companhia. É uma dessas passagens que só se consegue entender se partiu de si – então não vale a pena citar. Não é nada demais mesmo... é só espaçamento de casas fora do comum por onde se vive, com asfalto largo onde passam carros que sequer se esgueiram a fim de bisbilhotar a calçada, que, aliás, diga-se de passagem, é mínima e força contato físico se algo vem na direção contrária, além do cheiro de fezes. Mas, veja bem, não é qualquer, é cavalo. Cavalo urbano, mas cavalo.
Foi que então passou pela placa de “Vende-se”. Na verdade, esse comentário passou pela cabeça, mas importância mesmo não teve (nem tem) nenhuma. A não ser pelo fato de que uma mudança assim do tipo brusca anda (e muito) fazendo a cabeça. Não que seja prejudicial para alguém ou algo, de modo algum, é só por si. O que se entendeu então foi em questão: “onde mesmo foi parar a tal casa de janela amarela?”. Nesse momento, nada mais sabia. Nem pensava. As companhias, nem em número, nem em grau nem consciência estavam e sequer queriam estar presentes. E, no entanto, a vontade de se sentir andarilho e desbravar o mundo era mais que grande, imensurável.
Foi então que resolveu voltar para casa. A pé.
Depois, o que houve foram os pensamentos. É que todo dia (ou uma simplificação disso) posso passar pela rua que há tempos atrás tentei fazer com que se chamasse “Do Pensamento”. Vã tentativa. Isso porque percebi que nem sempre ela disso poderia ser, uma vez que assim só seria caso não houvesse companhia. É uma dessas passagens que só se consegue entender se partiu de si – então não vale a pena citar. Não é nada demais mesmo... é só espaçamento de casas fora do comum por onde se vive, com asfalto largo onde passam carros que sequer se esgueiram a fim de bisbilhotar a calçada, que, aliás, diga-se de passagem, é mínima e força contato físico se algo vem na direção contrária, além do cheiro de fezes. Mas, veja bem, não é qualquer, é cavalo. Cavalo urbano, mas cavalo.
Foi que então passou pela placa de “Vende-se”. Na verdade, esse comentário passou pela cabeça, mas importância mesmo não teve (nem tem) nenhuma. A não ser pelo fato de que uma mudança assim do tipo brusca anda (e muito) fazendo a cabeça. Não que seja prejudicial para alguém ou algo, de modo algum, é só por si. O que se entendeu então foi em questão: “onde mesmo foi parar a tal casa de janela amarela?”. Nesse momento, nada mais sabia. Nem pensava. As companhias, nem em número, nem em grau nem consciência estavam e sequer queriam estar presentes. E, no entanto, a vontade de se sentir andarilho e desbravar o mundo era mais que grande, imensurável.
Foi então que resolveu voltar para casa. A pé.
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