Questão única: Sumi^1 Deliberadamente sumi.
Não pela falta de medidas, pelo desapego ou descarinho.
- Sumi foi pelo sufoco, pelos apelos e (É pela saúde) gritos de inverdades.
/
Mesmo que não desalivie a expressão serena em marca, tudo queima e transparece em chama. No(a):
1) silêncio velado;
2) cortina fechada;
3) sorriso cerrado.
E sumi.
- anos, meses e até medidas incontáveis - E não é pra provar que não precisa provar (nem pra testar quando não estar perto já é demais).
Não foi em presença, mas em espírito.
{Todo dia um toque menos}
Hoje, nem sorriso +
Nem satisfação +
Nem desejos +
= uma equação complexa*
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
domingo, 27 de janeiro de 2013
De uma só tacada, três cajadadas
Fui aqui na esquina e voltei: não me enganaram com gato por lebre. De parda, tenho a vida na noite e, de escaldada, sei bem que as aparências nem sempre enganam.
Se o dia foi duro, não me preocupo: o leite já se derramou. Nada de chorar: tudo vai ser diferente. Além do mais, quem espera sempre alcança e, no fim, riremos juntos e melhor.
Eu bem que não entendia muito a cegueira do coração. Até que hoje, nesses exemplos torpes, descobri que uma grama de demonstrar vale mais que a tonelada do conselho. Ainda bem que, se cair, do chão não passa.
Sempre tento por fim no tom dramático. Mas como sei que quem não chora não mama, vou colhendo em sussurros de lamento cada grão que me enche o papo.
Não que vá sair por aí gritando "tô fraco, tô fraco" ou cutucando várias onças com a vara curta. Não vou seguir falando em prata, quando me pagam ouro pelo silêncio. Pensei rápido, falei devagar, pois de gata, sou malandra: como peixe sem ir à praia.
E se vovó já dizia, fiquei com o poeta: porque se conselho é ruim porque é de graça, prefiro logo receber aquele que me julga pelo que sou e não por quem ando.
Pois agora quero mandar um beijo pro papai, pra titia e pra todos aqueles que estão me assistindo semeando tempestade em pequenos ventos.
Um abraço da Xuxa (porque beijinho é tchau tchau).
Se o dia foi duro, não me preocupo: o leite já se derramou. Nada de chorar: tudo vai ser diferente. Além do mais, quem espera sempre alcança e, no fim, riremos juntos e melhor.
Eu bem que não entendia muito a cegueira do coração. Até que hoje, nesses exemplos torpes, descobri que uma grama de demonstrar vale mais que a tonelada do conselho. Ainda bem que, se cair, do chão não passa.
Sempre tento por fim no tom dramático. Mas como sei que quem não chora não mama, vou colhendo em sussurros de lamento cada grão que me enche o papo.
Não que vá sair por aí gritando "tô fraco, tô fraco" ou cutucando várias onças com a vara curta. Não vou seguir falando em prata, quando me pagam ouro pelo silêncio. Pensei rápido, falei devagar, pois de gata, sou malandra: como peixe sem ir à praia.
E se vovó já dizia, fiquei com o poeta: porque se conselho é ruim porque é de graça, prefiro logo receber aquele que me julga pelo que sou e não por quem ando.
Pois agora quero mandar um beijo pro papai, pra titia e pra todos aqueles que estão me assistindo semeando tempestade em pequenos ventos.
Um abraço da Xuxa (porque beijinho é tchau tchau).
domingo, 25 de novembro de 2012
Spread the love
O mais bonito de amar em conjunto é que chega uma hora em que o amor se expande em porções unitárias. E nessa jornada carrega consigo todas as responsabilidades agregadas aos sentidos.
E é aí que entra a beleza: antes do carinho só já fizemos uma oficina da vida em coletivo. Nesse processo aprendemos a falar e escutar. Desenvolvemos o que considero como um das melhores capacidades que podemos ter: a simpatia.
Não é a ser simpático de sorriso fácil, dos que mostram dentes a todo e qualquer - disso até desconfio. É sim aquela de apreender e aprender nas questões do outro e corresponder num gesto que parece simples, mas demanda muita maturidade emocional, que é o de revelar as questões pessoais e romper com a individualidades dela compreendendo o sentido como universal.
Hoje acho que é disso que se fala quando se quer dizer que ama a um amigo. Não é o amor de aceitar todo e qualquer termo, de histrionismos que justificam histerias sem razão; mas sim daquele que se entende em verdade e profundidade como é estar em outro.
Quanto mais amigos, mais compreensão. Quanto mais isso, menos crises a se preocupar: todas as cabeças pensando junto pensam melhor.
E é aí que entra a beleza: antes do carinho só já fizemos uma oficina da vida em coletivo. Nesse processo aprendemos a falar e escutar. Desenvolvemos o que considero como um das melhores capacidades que podemos ter: a simpatia.
Não é a ser simpático de sorriso fácil, dos que mostram dentes a todo e qualquer - disso até desconfio. É sim aquela de apreender e aprender nas questões do outro e corresponder num gesto que parece simples, mas demanda muita maturidade emocional, que é o de revelar as questões pessoais e romper com a individualidades dela compreendendo o sentido como universal.
Hoje acho que é disso que se fala quando se quer dizer que ama a um amigo. Não é o amor de aceitar todo e qualquer termo, de histrionismos que justificam histerias sem razão; mas sim daquele que se entende em verdade e profundidade como é estar em outro.
Quanto mais amigos, mais compreensão. Quanto mais isso, menos crises a se preocupar: todas as cabeças pensando junto pensam melhor.
sábado, 6 de outubro de 2012
Confesso que...
Eu que tenho a cara torta, endurecendo de passagem pela vida, mas ainda meio mansa de incompreensão.
Eu que ando a passos curtos, no caminho largo de chão de poças, poços e não possos.
Que já me embrenhei, mas só de leve, num caminho que só leva a outro e que, no fim só o que tem é recomeço.
E que já chorei - e ainda choro - só de ver a fumacinha do vapor do chão no dia do pós-chuva.
E ainda nem me decidi pra que lado posso ir.
Eu que hoje levo na cabeça outros pesos que considerava impossível, mas que largo por aí aqueles que julgava de suma importância.
Eu mesma dessas ideias enrijecidas, como só aos que parecem sábio podem pertencer.
E que só falo de mim pra mim, como se a importância disso viesse num crescente que contorna todas as espécies em relação.
E que tenho umbigo, nariz e braços - que julgo meus, mas que querem botar por aí pra jogo.
Hoje eu caí contra a corrente. Nadei, nadei, nadei e voltei lá pro meio do cardume. Que desconforto!
Porque, sinceramente, aqui tá todo mundo junto, nadando a um compasso só. Mas o que querem mesmo é cada um pegar aquele pedaço de pão velho que aquele misto de sombra com brilho torto parece jogar.
A solução, por um instante pensei, seria arranjar uma espécie de lente deformadora pra tentar parecer sombra e brilho torto. Mas aí, pensei de novo, se é só pra ter o pão velho, prefiro cansar de novo e tentar o caminho oposto.
Não é possível que a correnteza um dia não cesse. Ou pelo menos descanse.
Eu que ando a passos curtos, no caminho largo de chão de poças, poços e não possos.
Que já me embrenhei, mas só de leve, num caminho que só leva a outro e que, no fim só o que tem é recomeço.
E que já chorei - e ainda choro - só de ver a fumacinha do vapor do chão no dia do pós-chuva.
E ainda nem me decidi pra que lado posso ir.
Eu que hoje levo na cabeça outros pesos que considerava impossível, mas que largo por aí aqueles que julgava de suma importância.
Eu mesma dessas ideias enrijecidas, como só aos que parecem sábio podem pertencer.
E que só falo de mim pra mim, como se a importância disso viesse num crescente que contorna todas as espécies em relação.
E que tenho umbigo, nariz e braços - que julgo meus, mas que querem botar por aí pra jogo.
Hoje eu caí contra a corrente. Nadei, nadei, nadei e voltei lá pro meio do cardume. Que desconforto!
Porque, sinceramente, aqui tá todo mundo junto, nadando a um compasso só. Mas o que querem mesmo é cada um pegar aquele pedaço de pão velho que aquele misto de sombra com brilho torto parece jogar.
A solução, por um instante pensei, seria arranjar uma espécie de lente deformadora pra tentar parecer sombra e brilho torto. Mas aí, pensei de novo, se é só pra ter o pão velho, prefiro cansar de novo e tentar o caminho oposto.
Não é possível que a correnteza um dia não cesse. Ou pelo menos descanse.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
De antemão: já é saudade
Do que mais gosto e ao mesmo tempo odeio são desses pedacinhos de memória que me enchem em turbilhão de sentimentos e desaguam no transparecer da lágrima de um até breve! com a tonelada de um até quando?.
Até aqui, tudo em breve. Todo tempo junto é raro - e por isso valioso. Cada minuto é sentido com a precisão do tempo contado, mas que vai passando com a leveza do vento e que, quando cessa, vira furacão dos que levam tudo - até gente.
E gente pesa. Pesa muito. Porque gente não é só corpo. Sequer gente é só sentimento. Gente é tudo junto: com presente, passado, futuro - e todas as flexões, reflexões, conjugações e combinações possíveis. Gente tem memória e senso crítico. Gente tem sentido - e é controverso. Gente imagina, reflete, pesquisa, se engana, acerta e duvida: só pra imaginar de novo. Gente não para em pé, porque precisa deitar - e tampouco para deitado, porque sentado não dói as costas e correndo é bom pro coração.
E o que é o coração, senão o órgão que mais pesa quando todo o sangue chega pra ser bombeado de uma só vez só, porque na verdade quer é fugir do corpo e jorrar por todo o tempo-espaço em que está submetido a pressões de saudade. É, podem dizer o quanto queiram que é o cérebro, mas o que sinto mesmo funcionando é o peito - e um poco da barriga, cheia de borboletas.
Mas aí é outra história...
Até aqui, tudo em breve. Todo tempo junto é raro - e por isso valioso. Cada minuto é sentido com a precisão do tempo contado, mas que vai passando com a leveza do vento e que, quando cessa, vira furacão dos que levam tudo - até gente.
E gente pesa. Pesa muito. Porque gente não é só corpo. Sequer gente é só sentimento. Gente é tudo junto: com presente, passado, futuro - e todas as flexões, reflexões, conjugações e combinações possíveis. Gente tem memória e senso crítico. Gente tem sentido - e é controverso. Gente imagina, reflete, pesquisa, se engana, acerta e duvida: só pra imaginar de novo. Gente não para em pé, porque precisa deitar - e tampouco para deitado, porque sentado não dói as costas e correndo é bom pro coração.
E o que é o coração, senão o órgão que mais pesa quando todo o sangue chega pra ser bombeado de uma só vez só, porque na verdade quer é fugir do corpo e jorrar por todo o tempo-espaço em que está submetido a pressões de saudade. É, podem dizer o quanto queiram que é o cérebro, mas o que sinto mesmo funcionando é o peito - e um poco da barriga, cheia de borboletas.
Mas aí é outra história...
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Justificativas
Encarando o pensamento que tenta reduzir à comunicação verbal o gesto primordial de carinho, imploro: jamais tente viver só dela. É um princípio que só tende a desenvolver enganos, desgastes e desgostos.
Primeiro porque quando começa tudo num entendimento tão falho que há necessidade de perguntas, alerta 1: já começou errado. Segundo que, quando pra desenvolver afeto é necessário justificar em tópicos o que é carinho, alerta 2: não vai agradar. E terceiro, ainda mais cruel, quando da incerteza, que certamente a dubiedade das palavras acarretou no peito como sentimento profundo e intrínseco à relação, e então o diálogo revela-se um monólogo enfadonho (dado o vazio em resposta que tende a palavra zero), alerta 3 (e vermelho piscante): acabou.
Mas repara: o problema não é a palavra - ela pode ser linda, bem vinda e super bem colocada - mas a necessidade infinita dela. Demonstrar carinho não é explicar metodologicamente o que é carinho. Revelar vontades não requer um manual de montagem listado dos desejos.
Um corpo pulsa. E aí as mão se posicionam, os joelhos se encontram, os peitos se encaixam, os olhos brilham, o braço passa sem que se incomode, a cabeça recai no ombro. Olhar... olhar torna-se inevitável. E não está presente só na visão, a pulsação permite o olhar do toque, do cheiro, do ouvir, do sentir.
E aí você entende que quando se sente mais que se pensa em falar, o caminho é certo e a poesia é autoportante.
domingo, 3 de junho de 2012
Habitat Natural
E eu moro bem aqui, horizonte a frente. Há tempos sento olhando a linha perguntando se é de paralelas infinitas que o mar se toma. Há tempos me guio por um norte pra ver se o horizonte me toma numa cruzada de caminho sem volta.
E não toma.
Hoje eu sentei numa faixa que não é mais de areia. Olhei pra frente e o que tinha já não era mar. E me perguntei se o caminho das nuvens ainda era possível. Se o abismo do céu ainda suportava o peso de mais um corpo que se jogava, ou se o fato de ser peso não era mesmo (como antes suspeitava) um problema do ar.
A resposta: um raio e uma nuvem preta revelando em cores e cobrindo em chuva metade do que achava ser uma sombra no céu. E a surpresa: não era sombra, era sólido. Não era treva, era caminho.
Fui ao sul revelar o que não é mais horizonte. O caminho, ao contrário do que indicavam as pedras, ia por elas, com elas, sobre e sob elas. O caminho não era mão única - dessas monótonas, solitárias e cheias de questões de obediência - mas dispersa, variável, mutante e coletiva. Não de um coletivo que despreza a palavra de apoio, o zelo do amigo, o reconforto do desabafo. E público.
Nesse dia entendi que estou em terra firme e agradeci por não ser a distância o oceano. Pelo menos por aqui eu posso andar - já que eu não posso e nadar eu não sei.
E a chama acendeu.
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